AO MEU PAIZ
Protesto justificativo a proposito da expulsão dos meus religiosos. Estabelecimiento Tipográfico de Fortanet. Madrid. 1910.
De 23x16 cm. Com 21, [iii em br.] págs. Brochado.
Folheto muito raro, do qual não existem exemplares catalogados na Biblioteca Nacional. Foram publicadas outras edições no mesmo ano por outros impressores e em outras cidades, tais como: São Paulo Duprat, 1911, 21 p.; e tradução em castelhano, A mi patria. Protesta justificativa á propósito de la expulsión de mis súbditos religiosos (Traducción del português con aprobación del autor) Estabelecimiento Tipográfico G. lópez del Horno. 1910
Muito importante para a história da 1.ª República e da Companhia de Jesus em Portugal.
O texto está datado na página 21, de Madrid, 5 de Novembro de 1910.
O presente texto foi escrito para prostestar contra a ordem de expulsão dos jesuítas promulgada pela República, em Decreto de 8 de Outubro de 1910, que considerava: Artigo 1.º - Continua a vigorar como lei da República Portuguesa a de 3 de Setembro de 1759, promulgada sob regime absoluto, e pela qual os Jesuítas foram havidos por desnaturalizados e proscritos, e se mandou que efectivamente fossem expulsos de todo o país e seus domínios «para neles mais não poder entrar».
Os membros da Companhia de Jesus foram presos, submetidos a torturas físicas e psicológicas e expulsos de Portugal, para onde só puderam voltar de forma organizada em 1940. A sua expulsão violou os direitos humanos, prejudicou gravemente o sistema de ensino em Portugal, com o encerramento dos Colégios de S. Fiel e de Campolide, entre outros. Em territórios sob administração portuguesa como Timor, Goa, ou Moçambique deixou de existir qualquer sistema de ensino durante muitos anos.
O ataque à Igreja Católica, que era apoiada pela maioria do povo português, foi um dos factores que contribuiu para o descrédito da 1.ª República e para a sua queda final em 1926.
Luís Gonzaga Cabral (Foz do Douro, Porto, 1866 - Baía, Brasil, 1939) padre jesuíta, professor e orador. Foi educado pelos Jesuítas no Noviciado do Barro em Torres Vedras, em Uclés, Espanha e em Vals, França, sendo ordenado padre em 189. Foi professor no Colégio de Campolide, onde foi reitor de 1903 e 1908. Desde 1908 a 1912 foi Provincial da Companhia de Jesus, em Portugal. Depois da expulsão de Portugal foi professor na Bélgica e no Brasil. A sua obra mais célebre é um estudo sobre a obra do Padre António Vieira: Vieira Pregador, 1897.