{"product_id":"arte-de-cozinha-ed-1822","title":"ARTE DE COZINHA. [ED. 1821]","description":"\u003cp\u003eDividida em quatro partes, A primeira trata do modo de cozinhar varios guizados de todo o genero de carnes, e conservas, tortas, empadas, e pasteis. A segunda de peixes, mariscos, frutas, hervas, ovos, lacticinios, doces, conservas do mesmo genero. A terceira de preparar mezai em todo o tempo do anno, para hospedar Principes, e Embaixadores. A quarta de fazer pudins, e preparar massas. Obra util, e necessaria a todos os que regem, e governão casa. Correcta, e emendada nesta ultima edição. Author DOMINGOS RODRIGUES, Mestre da Cozinha de Sua Magestade. LISBOA: Na Offic. da Viuva de Lino da Silva Godinho. 1821. Com Licença da Commissaõ de Censura. Vende-se na Loja de João Nunes Esteves, na Rua do Ouro.\u003c\/p\u003e\n\u003cp\u003eDe 14,5x9,5 cm. Com 286, [ii br.] págs. Encadernação da época inteira de pele com ferros a ouro na lombada.\u003c\/p\u003e\n\u003cp\u003eImpressão em caracteres redondos e alguns itálicos.\u003c\/p\u003e\n\u003cp\u003eExemplar com vestígios de uma folha de guarda anterior em branco arrancada.\u003c\/p\u003e\n\u003cp\u003eAs páginas 50, 169, 213 e 214 estão numeradas 51, 179, 231 e 202 respetivamente, por erro do tipógrafo, não afetando a integridade da obra.\u003c\/p\u003e\n\u003cp\u003eEdição oitocentista rara do primeiro tratado de culinária impresso em Portugal, publicada durante o Triénio Liberal (1820–1823) na oficina da Viúva de Lino da Silva Godinho, tipografia conhecida pela impressão de panfletos políticos, incluindo obras do padre José Agostinho de Macedo. Esta é a primeira edição do século XIX a ser acrescentada com uma quarta parte de autoria anónima, que diz respeito à confeção de pudins e massas.\u003c\/p\u003e\n\u003cp\u003eA Arte de Cozinha conheceu cerca de dezanove edições desde a primeira edição em 1680 até meados do século XIX, que foram sucessivamente atualizadas consoante os desenvolvimentos sociais ao longo dos séculos. Consolidou-se como receituário da «verdadeira» cozinha portuguesa, sendo hoje um valioso testemunho da sua história.\u003c\/p\u003e\n\u003cp\u003eApresenta um extenso índice alfabético a partir da página 257.\u003c\/p\u003e\n\u003cp\u003eOriginalmente publicada num formato bipartido, focado na distinção entre pratos de carne e peixe, a obra foi expandida pelo próprio Domingos Rodrigues na edição de 1693, com a inclusão de uma terceira parte dedicada à etiqueta e ao serviço de embaixadores e à disposição da «mesa redonda à estrangeira», ou, como se lê em edições posteriores do século XVIII, «à Françesa»: uma alteração de designação que indicia a crescente hegemonia cultural de França na corte portuguesa, evidenciando o desejo de emular o prestigiado \u003cem\u003eservice à la française\u003c\/em\u003e do tempo de Luís XIV, antecedendo em mais de duas décadas a influência reformadora de Lucas Rigaud (1780).\u003c\/p\u003e\n\u003cp\u003eA obra continuaria a evoluir postumamente, surgindo no século XIX, com a presente edição, uma quarta parte de autoria anónima dedicada a pudins e massas, fazendo eco da popularidade do «pudim inglês» e das «massas italianas» que se tornaram moda na burguesia portuguesa. Com esta adição editorial o livro tornou-se um texto híbrido que documenta a modernização dos hábitos alimentares da burguesia portuguesa e a influência britânica após as Invasões Francesas, fundindo a tradição barroca com as novas tendências gastronómicas europeias.\u003c\/p\u003e\n\u003cp\u003eDomingos Rodrigues (Vila Cova à Coelheira, 1637 – Lisboa, 1719) foi mestre de cozinha ao serviço da alta nobreza portuguesa durante o período barroco. Natural do bispado de Lamego, região interior marcada por uma cozinha robusta de subsistência, migrou para Lisboa num contexto de recomposição das grandes casas aristocráticas após a Restauração da Independência em 1640. Serviu nas cozinhas dos Condes de Vimioso, que acumulavam os títulos de Marquês de Valença e Marquês de Gouveia, onde teve acesso privilegiado a ingredientes vedados à vasta maioria da população: açúcar em abundância proveniente do Brasil e da Madeira, especiarias orientais e caça miúda e graúda. O título de «Mestre da cozinha de Sua Magestade», que ostenta na folha de rosto, é de interpretação incerta — a investigação histórica sugere que terá servido como cozinheiro extraordinário, contratado para a logística de grandes banquetes, casamentos reais ou recepções diplomáticas, mais do que como oficial permanente da Casa Real de D. Pedro II. Era, assim, um profissional do «evento», mestre de cerimónias gastronómicas, o que explica a tónica da sua obra nos banquetes e na etiqueta de servir. Faleceu em Lisboa a 20 de Dezembro de 1719, com 82 anos de idade.\u003c\/p\u003e\n\u003cp\u003e[EN] 14.5 x 9.5 cm. 286 [ii blank] pp. Contemporary full leather binding with gold tooling on the spine.\u003c\/p\u003e\n\u003cp\u003ePrinting in round characters and some italics.\u003c\/p\u003e\n\u003cp\u003eCopy with traces of a previous blank flyleaf that has been torn out.\u003c\/p\u003e\n\u003cp\u003ePages 50, 169, 213, and 214 are numbered 51, 179, 231, and 202 respectively, due to a typographical error, which does not affect the integrity of the work.\u003c\/p\u003e\n\u003cp\u003eA rare 19th-century edition of the first cookery book printed in Portugal, published during the Liberal Triennium (1820–1823) at the workshop of Viúva de Lino da Silva Godinho, a printing house known for printing political pamphlets, including works by Father José Agostinho de Macedo. This is the first 19th-century edition to be supplemented with a fourth part by an anonymous author, which deals with the preparation of puddings and pasta.\u003c\/p\u003e\n\u003cp\u003eThe Art of Cooking saw around nineteen editions between its first publication in 1680 and the mid-19th century, which were successively updated in line with social developments over the centuries. It established itself as the recipe book for 'authentic' Portuguese cuisine and is now a valuable testimony to its history.\u003c\/p\u003e\n\u003cp\u003eExtensive alphabetical index starting on page 257.\u003c\/p\u003e\n\u003cp\u003eOriginally published in two parts, focusing on the distinction between meat and fish dishes, the work was expanded by Domingos Rodrigues himself in the 1693 edition, with the inclusion of a third part dedicated to etiquette and the service of ambassadors and the arrangement of the 'foreign-style round table', or, as it reads in later editions of the 18th century, \"à la française\": a change in designation that indicates the growing cultural hegemony of France in the Portuguese court, highlighting the desire to emulate the prestigious “service à la française” of the time of Louis XIV, preceding the reforming influence of Lucas Rigaud (1780) by more than two decades.\u003c\/p\u003e\n\u003cp\u003eThe work continued to evolve posthumously, appearing in the 19th century with this edition, a fourth part by an anonymous author dedicated to puddings and pasta, echoing the popularity of 'English pudding' and 'Italian pasta' which had become fashionable among the Portuguese bourgeoisie. With this editorial addition, the book became a hybrid text documenting the modernisation of the eating habits of the Portuguese bourgeoisie and British influence after the French Invasions, merging Baroque tradition with new European gastronomic trends.\u003c\/p\u003e\n\u003cp\u003eDomingos Rodrigues (Vila Cova à Coelheira, 1637 – Lisbon, 1719) was a master chef in the service of the Portuguese aristocracy during the Baroque period. A native of the diocese of Lamego, an inland region known for its robust subsistence cuisine, he migrated to Lisbon during a period of restructuring of the great aristocratic houses after the Restoration of Independence in 1640. He served in the kitchens of the Counts of Vimioso, who held the titles of Marquis of Valença and Marquis of Gouveia, where he had privileged access to ingredients forbidden to the vast majority of the population: abundant sugar from Brazil and Madeira, oriental spices, and small and large game. The title of \"Master Chef to His Majesty,\" which appears on the title page, is open to interpretation — historical research suggests that he served as a special chef, hired for the logistics of large banquets, royal weddings, or diplomatic receptions, rather than as a permanent official of the Royal Household of Dom Pedro II. He was, therefore, an 'event' professional, a master of gastronomic ceremonies, which explains the focus of his work on banquets and serving etiquette. He died in Lisbon on 20 December 1719, at the age of 82.\u003c\/p\u003e\n\u003cp\u003eReferências:\u003cbr\u003eCatálogo BNP, F.R. 1382.\u003cbr\u003eLivros portugueses de cozinha. 2.ª ed. Biblioteca Nacional de Portugal. Lisboa. 1998. p. 103, n.º 459.\u003cbr\u003eInocêncio, II, 197-198, n.º 323; IX, 149.\u003c\/p\u003e","brand":"Garimpo dos Livros","offers":[{"title":"Default Title","offer_id":58285234323788,"sku":"2601SB002","price":7800.0,"currency_code":"BRL","in_stock":true}],"thumbnail_url":"\/\/cdn.shopify.com\/s\/files\/1\/1066\/5617\/0316\/files\/2601SB002_1_2f20446f-2d79-415e-a850-455456514230.jpg?v=1785773750","url":"https:\/\/garimpodoslivros.com.br\/products\/arte-de-cozinha-ed-1822","provider":"Garimpo dos Livros","version":"1.0","type":"link"}