{"product_id":"dias-franco-luis-doctrina-philosophica","title":"DIAS FRANCO. (Luís) DOCTRINA PHILOSOPHICA.","description":"\u003cp\u003eDe 27,5x20,5 cm. Com [xxvi], 425 [i.e. 405], [cxi] págs. Encadernação da época inteira de pele, com nervos e ferros a ouro na lombada.\u003cbr\u003e\nIlustrado com um belo frontispício gravado em chapa de metal, com uma estética marcadamente barroca, representando o Menino Jesus ao centro com a Cruz sobre glória de anjos. Está assinado «Dñc Urbin fecit.» - Dominicus Urbinus [Domingo de Urbino]. Tem também uma grande Rosa dos Ventos xilogravada na página 207 e uma bela gravura com duas penas e o lema In utrumque paratus [preparado para tudo], no verso da última folha numerada.\u003cbr\u003e\nInclui ainda diversos e elaborados cabeções, distintos florões de remate e iniciais decoradas com cenas alegóricas, figuras antropomórficas, motivos arquitetónicos e motivos vegetalistas. Estes ornamentos xilogravados que adornam a obra contêm várias vezes o trigrama sagrado IHS, geralmente usado pela Companhia de Jesus, nomeadamente ao início dos índices e nas elaboradas gravuras que se encontram ao início dos tratados, com exceção do primeiro.\u003cbr\u003e\nTexto em caracteres redondos e alguns itálicos, enquadrado por uma moldura composta por dois filetes simples. Encontra-se disposto em duas colunas, com exceção dos textos preliminares, nas páginas em numeração romana. Os títulos correntes, a paginação e as notas impressas à margem estão colocadas no interior da moldura, entre os filetes.\u003cbr\u003e\nExemplar com ex-libris de Francisco da Gama Caeiro, com o mote Fideliter non serviliter [Fielmente, não servilmente], na pasta anterior e etiqueta com cota 3.373 na guarda anterior. Pequenas falhas de pele na lombada e desgaste superficial da encadernação. Leves manchas de humidade mais notáveis entre as páginas 1-50 e nas últimas páginas numeradas. Apresenta picos de traça a partir da página 229, a maior parte sem atingir a mancha tipográfica, mas com alguns afetando por vezes as notas marginais e a dita moldura, sem nunca impedir a leitura. Vestígios de restauros amadores, com papel colado sobre alguns dos picos de traça.\u003cbr\u003e\nA página 66 está numerada 96, a 257-287, a 337-338, corrigida a tinta por cima, e a 396-384. Tem dois saltos na numeração, da página 267 para a 278 e da 322 para a 333. Estes erros tipográficos não afetam a integridade da obra, que se encontra completa.\u003cbr\u003e\nPrimeira e única edição. Muito raro e ainda mais no comércio, já que não aparece em nenhum dos principais catálogos de leilões e livreiros.\u003cbr\u003e\nObra muito importante que compreende uma vasta compilação de conhecimentos filosóficos que cobrem uma ampla gama de áreas do conhecimento desde a filosofia natural até a ética. Trata-se de uma referência essencial para o estudo da filosofia escolástica e das ciências naturais do início do século XVII em Portugal, e em todo o mundo católico onde existiam colégios jesuítas. Como muitas outras obras da segunda escolástica terá tido influência mesmo em escolas de países protestantes.\u003cbr\u003e\nO seu excepcional valor é confirmado pelo facto de, apesar do escasso número de exemplares conhecidos nos nossos dias, a obra ter tido uma vasta influência no ensino nos colégios da Companhia de Jesus e em escolas de outras entidades, pois sabe-se que foi remetida de Sevilha para a cidade de Lima, no Peru, uma encomenda de 30 exemplares. O remetente considera que: «é livro novo, que até agora nunca foi enviado para a América Espanhola. Contém toda a filosofia e é muito importante para todos os que estudam artes e teologia», ver Maria da Graça Mateus Ventura, Vol. I, Tomo II, pág. 24.\u003cbr\u003e\nPrimeiras páginas não numeradas com licenças de Frei Melchior de Abreu, Pedro de Novais, Bartolomeu da Fonseca, Damião Viegas, António Dias Cardoso; dedicatória do autor ao Collegio Olysipponensis D. Antonii Societatis Iesu (Colégio de Lisboa da Companhia de Jesus); prefácio ao leitor; três poemas em louvor do autor, dois do Licenciado Álvaro Fernandes e um Epigrama latino de Francisco Nunes de Ávila; e finalmente um índice de assuntos.\u003cbr\u003e\nNo primeiro poema, Álvaro Fernandes faz uma personificação (prosopopeia) da obra, elogiando a sua profundidade e a sabedoria do autor. Destaca a importância da filosofia e como o autor consegue, através da sua escrita, guiar os leitores pelos complexos caminhos do conhecimento. No segundo poema, constituído por versos Asclepiadeus , volta a louvar o autor, ressaltando as suas virtudes intelectuais e a qualidade da obra, contribuindo para o legado filosófico e educativo. Francisco Nunes, num epigrama, elogia a erudição e a habilidade do autor, considera obra um marco importante na literatura filosófica e celebra o impacto que ela terá nos leitores e estudiosos.\u003cbr\u003e\nInclui um índice de assuntos nas últimas 8 páginas preliminares e um extenso índice remissivo no final, com mais de 100 páginas.\u003cbr\u003e\nA «Doctrina Philosophica» é uma obra da autoria de Baltazar do Amaral publicada sob o pseudónimo de Luís Dias Franco, conforme o testemunho de Barbosa Machado, que afirma ter visto o manuscrito original com o verdadeiro nome do autor. A obra reflete a profundidade do seu conhecimento e a sua habilidade em sintetizar e explicar conceitos filosóficos complexos, tendo contribuindo significativamente para a disseminação da filosofia escolástica em Portugal.\u003cbr\u003e\nFoi publicada em 1618, durante um período de intensos debates filosóficos e teológicos na Europa, especialmente influenciados pela Escolástica e pelos ensinamentos de Santo Tomás de Aquino. A Contra-Reforma estava em pleno vigor, com a Igreja Católica a reafirmar os seus dogmas e doutrinas contra as ideias protestantes. A filosofia escolástica predominava nos centros educativos e nas universidades, sendo fundamental para a formação intelectual da época.\u003cbr\u003e\nA Ordem dos Jesuítas desempenhou um papel crucial na educação e na disseminação do conhecimento científico e filosófico durante este período. A obra reflete os esforços dos jesuítas em sistematizar o ensino da filosofia, seguindo as diretrizes educacionais estabelecidas pelo Concílio de Trento e promovendo a ortodoxia católica em face das reformas protestantes.\u003cbr\u003e\nNo prefácio, o autor introduz a obra explicando a importância e o propósito dos estudos filosóficos, ressaltando que a filosofia é uma ciência fundamental para compreender a natureza e as causas das coisas. Destaca a necessidade de uma abordagem meticulosa e rigorosa para a investigação filosófica, ressaltando que a obra está organizada de forma a guiar o leitor através dos princípios fundamentais até aos tópicos mais complexos.\u003cbr\u003e\nA «Doctrina Philosophica» reflete a profunda influência de Aristóteles, tanto ao nível da organização como do conteúdo. A obra não apenas adota a terminologia e os temas aristotélicos, mas também aplica a metodologia e o rigor analítico característicos da filosofia do Estagirita. Esta influência aristotélica é um indicativo da adesão do autor às tradições filosóficas escolásticas, que se baseavam amplamente na síntese das obras de Aristóteles com a teologia cristã.\u003cbr\u003e\nA obra está dividida em oito tratados, que se subdividem em questões e capítulos. Esta estrutura reflete uma abordagem abrangente e sistemática da filosofia natural, começando com princípios gerais e progredindo para tópicos específicos e avançados. Os tratados abordam temas centrais das principais obras aristotélicas, como a filosofia natural, a alma, a cosmologia e a ética, estruturando-se de modo a proporcionar uma compreensão abrangente e sistemática das questões filosóficas de acordo com a tradição escolástica. Esta influência aristotélica confirma a importância da obra como uma síntese e continuação do pensamento filosófico clássico dentro do contexto jesuíta e do século XVII.\u003cbr\u003e\nExplicação de cada tratado:\u003cbr\u003e\nTractatus Primus: De rebus naturalibus in communi, \u0026amp; earum principiis, \u0026amp; proprietatibus. Quid sit Philosophia, \u0026amp; quomodo dividatur. Este primeiro tratado apresenta e explora o conceito de corpos naturais na filosofia aristotélica, esboçando os princípios gerais da filosofia natural, discutindo a definição de filosofia, as suas divisões e a relação entre ela e as várias ciências naturais. Os temas abordados incluem os princípios da natureza, a matéria e a forma, e as propriedades essenciais dos corpos naturais . Relaciona-se com a «Metafísica» e a «Física» de Aristóteles.\u003cbr\u003e\nTractatus Secundus: De caelo, et mundo. Focado no estudo do céu e do mundo, este tratado explora a estrutura do universo e os corpos celestes. Discute o conceito de esferas celestes, os movimentos dos planetas e a cosmologia aristotélica. Baseia-se na «De Caelo» (Sobre o Céu) de Aristóteles, explorando a substância, movimento e partes do céu.\u003cbr\u003e\nTractatus Tertius: De rerum naturalium ortu, \u0026amp; interitu. Este tratado aborda a origem e a destruição das coisas naturais . Investiga os processos de formação de um corpo a partir de outro, a natureza das mudanças e transformações que ocorrem nas coisas e as causas subjacentes a esses fenómenos. Relaciona-se intimamente com a «De Generatione et Corruptione» (Sobre a Geração e Corrupção).\u003cbr\u003e\nTractatus Quartus: De Meteoris. Focado nos fenómenos atmosféricos, este tratado explora a natureza e as causas dos meteoros. Discute fenómenos como chuva, vento, trovões, relâmpagos e outros eventos atmosféricos, seguindo a tradição aristotélica de estudo dos meteoros que se encontra na «Meteorologica».\u003cbr\u003e\nTractatus Quintus: De Anima. Este tratado investiga a natureza dos corpos animados : seres vivos que têm uma alma (anima) que guia as suas operações vitais. Explora a definição de alma; a distinção entre plantas (alma vegetativa), animais (alma sensitiva) e humanos (alma racional); e examina também a relação entre a alma e o corpo e as operações específicas da alma racional. A investigação sobre a alma e as suas faculdades, segue de perto as ideias apresentadas por Aristóteles na obra homónima «De Anima».\u003cbr\u003e\nTractatus Sextus: De Parvis naturalibus. Aborda os chamados «Parva Naturalia» (Pequenos Tratados sobre a Natureza): uma coleção de textos escritos por Aristóteles sobre aspectos específicos da fisiologia humana, como os sentidos, o sono, os sonhos, a memória, e outras funções que ligam a alma ao corpo.\u003cbr\u003e\nTractatus Septimus: De Anima separata. Este tratado foca-se no estudo da alma separada, investigando o estado ontológico da alma quando separada do corpo e colocando questões acerca da distinção entre corpo e alma e da possibilidade desta possuir atividades intelectuais ou racionais, independentes de um corpo, e de como estas se manifestariam. Aborda temas como a imortalidade da alma e a sua natureza após a morte, explorando as diversas implicações filosóficas e teológicas. Estes temas são abordados em parte no «De Anima» e em discussões metafísicas de Aristóteles.\u003cbr\u003e\nTractatus Octavus: In Libros Ethicorum. O último tratado aborda a ética com base nos livros de Ética de Aristóteles, nomeadamente no «Ethica Nicomachea» (Ética a Nicómaco), discutindo acerca da felicidade, do bem supremo, das virtudes morais e intelectuais, do fim último do homem, e os princípios da vida ética. Examina também a relação entre ética e política, e como a moralidade individual se insere no contexto social.\u003cbr\u003e\nBaltasar do Amaral (Cunha Baixa, Viseu, 1585? – 16--?), um importante filósofo e teólogo da Segunda Escolástica Portuguesa, foi admitido na Companhia de Jesus, em 14 de Junho de 1601. Nela foi mestre de noviços, seguindo a tradição jesuítica de excelência académica e rigor intelectual, lecionando Filosofia nos Colégios de Lisboa e de Coimbra.\u003cbr\u003e\nPublicou o resumo do trabalho final de uma das cadeiras do curso de filosofia, com o título: «Conclusiones metaphysicae. Quaestio disputanda. Num possit produci aliquid corporeum supernaturale?». É composta por dois fólios e foi impressa em Coimbra, na oficina de Diogo Gomes Loureiro, em 1607. Esta obra faz parte de uma tradição académica características das universidades desde a sua fundação na Idade Média e que foi muito usada pelos Jesuítas. As «Quaestiones disputatae», que eram teses ou disputas públicas realizadas nas universidades e colégios jesuítas. Nessas disputas, temas complexos de metafísica, teologia, ou filosofia natural eram debatidos por estudantes avançados, geralmente sob a supervisão de um professor mais experiente. Neste caso estes trabalho de Baltazar do Amaral foi orientado por Jorge Cabral, outro proeminente jesuíta da época, académico jesuíta. A questão central da obra é «Num possit produci aliquid corporeum supernaturale?», que se traduz como «Pode algo corporal ser produzido de maneira sobrenatural?». Este tipo de questão metafísica está relacionado com a possibilidade de intervenção divina ou miraculosa no mundo material, um tema recorrente nas discussões teológicas e filosóficas da época.\u003cbr\u003e\nDomingo de Urbino (fl. 1618) - gravador de que não se conhecem dados biográficos.\u003cbr\u003e\nReferências:\u003cbr\u003e\nPorbase, 1063910, Cota: S.A. 4726 A.\u003cbr\u003e\nPorbase, 353692, Cota: RES. 1071\/\/17 A. (disputa académica)\u003cbr\u003e\nIberian Books, 43326, B63768.\u003cbr\u003e\nIberian Books, 23290, B68345. (disputa académica)\u003cbr\u003e\nUSTC, 5021839.\u003cbr\u003e\nOPAC SBN, IT\/ICCU\/CFIE\/005731.\u003cbr\u003e\nCCPB, CCPB000883115-7.\u003cbr\u003e\nMaria da Graça Mateus Ventura - Portugueses no Peru ao tempo da União Ibérica. Mobilidade, cumplicidades e vivências. Lisboa, Imprensa Nacional Casa da Moeda, 2005.\u003cbr\u003e\nSommervogel 1, 261\u003cbr\u003e\nMarinha. Impr. séc. XVII 12\u003cbr\u003e\nPáez Ríos. Repertorio de grab. esp. 3, 2163\u003cbr\u003e\nArouca F 179\u003cbr\u003e\nArouca A 325 [disputa]\u003cbr\u003e\nRodrigo Veloso, 2.º Escrínio Bibliográfico, 2589.\u003cbr\u003e\nD. Francisco Manuel de Melo, Carta dos Autores Portugueses. 1664. Cartas Familiares. Edição INCM, 1981, p. 413.\u003cbr\u003e\nNicolás Antonio, Bibliotheca Hispana Nova II, 32.\u003cbr\u003e\nBarbosa Machado I, 441.\u003c\/p\u003e","brand":"Garimpo dos Livros","offers":[{"title":"Default Title","offer_id":59723987452236,"sku":"2407SB005","price":30000.0,"currency_code":"BRL","in_stock":true}],"thumbnail_url":"\/\/cdn.shopify.com\/s\/files\/1\/1066\/5617\/0316\/files\/2407sb005_1_1e220e6a-64ba-4c89-9a24-b71fbde4c305.jpg?v=1793663461","url":"https:\/\/garimpodoslivros.com.br\/products\/dias-franco-luis-doctrina-philosophica","provider":"Garimpo dos Livros","version":"1.0","type":"link"}