DOZE CASAMENTOS FELIZES. [9.ª EDIÇÃO]
Romances. 9.ª edição, conforme a 2.ª, última revista pelo autor. Parceria A. M. Pereira. Lisboa. 1979.
De 19,5x12,5 cm. Com 260, [iii] págs. Brochado. Exemplar por abrir, com leves vincos e marcas na capa de brochura.
Publicado em 1861, Doze Casamentos Felizes reúne um conjunto de doze histórias sobre o amor:
«(…) nestes ruins tempos de material e nauseante industrialismo, a fase do coração é curta, o amor vem temporão, e como que apodrece antes de sazonado. De toda a parte, aos ouvidos do mancebo vem a soada do martelar da indústria. A sociedade, aparelhada em oficina, não dá por ele, se o não vê a labutar e mourejar no veio da riqueza. TÃtulos, glórias, homenagens, regalos, as feições todas da festejada máscara, com que por aqui nos andamos entrudando uns aos outros, só pode ser afivelada com broches de ouro. Dislates do amor empecem o ir direito ao fim. O coração é vÃscera que derranca o sangue, se com as muitas vertigens o Vascoleja de mais. Faz-se mister abafar-lhe as válvulas e exercitar o cérebro, onde demora a bossa do cálculo, da empresa, da sordÃcia gananciosa, e outras muitas bossas filiadas ao estômago, o qual é, sem debate, a vÃscera por excelência, o luzeiro perene entre as trevas que ofuscam as almas». (excerto da obra)
O casamento-instituição é retratado enquanto base do edifÃcio social sólido e, consequentemente, como salvação do descalabro iminente do sistema. Esta é a obra camiliana que anuncia o realismo campesino, tão bem desenvolvido, mais tarde nas Novelas do Minho.
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