{"product_id":"ley-que-declara-o-comprimento-que-ham-de-ter-as-espadas","title":"LEY QUE DECLARA O COMPRIMENTO QUE HAM DE TER AS ESPADAS.","description":"\u003cp\u003eE a pena que auerÃ£ as pessoas q doutra maneyra as trouuerem. [cÃ³lofon]: Foy impressa esta ley per mandado del Rey nosso senhor na cidade de Lisboa: em casa de GermÃ£o Galharde empremidor. Aos doze dias do mes de MarÃ§o. Anno de M.D.XXXIX [1539] annos.:\u003c\/p\u003e\n\u003cp\u003eIn fÃ³lio de 29,5x20,5 cm. Com [iii], [i em br.] pÃ¡gs. EncadernaÃ§Ã£o recente inteira de pergaminho, com ferros a ouro nas pastas. Folhas de guarda muito encorpadas.\u003c\/p\u003e\n\u003cp\u003eIlustrado com uma bela inicial decorada alegÃ³rica com uma crianÃ§a nua, um pÃ¡ssaro e sÃ­mbolos de armamento, como um capacete e um escudo; no cÃ³lofon com duas vinhetas representando as armas do Rei JoÃ£o III e a esfera armilar, com as seguintes iniciais na eclÃ­ptica: C.A.D.A.T.G.\u003c\/p\u003e\n\u003cp\u003eExemplar com assinatura manuscrita de\u003cem\u003e Ioham Paaez, \u003c\/em\u003eque autentica a obra, tal como se encontra impresso no final do verso do primeiro fÃ³lio. Tem anotaÃ§Ãµes a tinta coeva na frente do primeiro fÃ³lio. Restauro amador nas margens laterais, junto Ã  goteira, com manchas de humidade.\u003c\/p\u003e\n\u003cp\u003eOs fÃ³lios encontram-se numerados a tinta no canto superior direito, podendo ler-se \u003cem\u003efol. lxxix\u003c\/em\u003e e \u003cem\u003efol. lxx\u003c\/em\u003e, o que revela que esta lei terÃ¡ feito parte de uma colectÃ¢nea de ordenaÃ§Ãµes e leis do Reino de Portugal.\u003c\/p\u003e\n\u003cp\u003eA publicaÃ§Ã£o foi supervisionada por Pedro Gomes, escrivÃ£o da chancelaria, que elaborou e verificou a conformidade do texto com as ordens reais; e os exemplares autenticados por JoÃ£o Pais, do Desembargo do Rei e Desembargador da sua Corte e Casa da SuplicaÃ§Ã£o, o qual por especial mandado do Rei tinha o cargo de Chanceler MÃ³r do Reino.\u003c\/p\u003e\n\u003cp\u003eImpresso de grande raridade. Existem variantes desta impressÃ£o, algumas com o tÃ­tulo Â«\u003cem\u003eLei que deelara o comprimen\/to que ham de ter as espadas. E\/ a pena que aueram as pessoas q\/doutra maneyra as trouuerem\u003c\/em\u003eÂ» e outras sem as vinhetas no final e a assinatura do chanceler.\u003c\/p\u003e\n\u003cp\u003eLei publicada durante o reinado de Dom JoÃ£o III que estabelecia normas sobre o tamanho das espadas que podiam ser usadas e as penalidades para aqueles que desrespeitavam estas normas. Num perÃ­odo de grandes mudanÃ§as e rÃ¡pida alteraÃ§Ã£o da sociedade, esta imposiÃ§Ã£o de limites ao tamanho das espadas revela uma tentativa de controlar a violÃªncia e assegurar um ambiente mais seguro para a populaÃ§Ã£o.\u003c\/p\u003e\n\u003cp\u003eNo reinado de Dom JoÃ£o III (1521-1557), Portugal viveu um perÃ­odo de grande expansÃ£o marÃ­tima e comercial, que foi marcado pela consolidaÃ§Ã£o das possessÃµes portuguesas na Ãsia, Ãfrica e AmÃ©rica do Sul, bem como por uma sÃ©rie de reformas administrativas e jurÃ­dicas no reino. Neste contexto, a lei sobre o comprimento das espadas refletia as preocupaÃ§Ãµes com a seguranÃ§a e a ordem pÃºblica. Esta lei determinava que as espadas usadas em Portugal nÃ£o podiam ultrapassar um comprimento total de cinco palmos de vara (cerca de 110 cm.), incluindo o punho e a maÃ§Ã£. Este regulamento visava controlar o aumento do uso de espadas longas, que eram vistas como uma ameaÃ§a Ã  ordem pÃºblica devido ao seu potencial uso por salteadores, foras da lei e criminosos. Estabeleciam-se assim penas severas para quem utiliza-se espadas fora destas especificaÃ§Ãµes, incluindo multas e penas de prisÃ£o. As espadas maiores sÃ³ podiam ser usadas pelas autoridades.\u003cbr\u003e\u003cbr\u003eDurante o sÃ©culo XVI em Portugal, vÃ¡rias espadas eram usadas, cada uma refletindo as necessidades e contextos especÃ­ficos dos seus utilizadores. Entre as principais, destacam-se a Espada de Talho, a Espada Ropera, o Montante, a Espada de Cavaleiro, a Espada de NÃ¡utica e a Espada Espanhola. Cada uma tinha caracterÃ­sticas particulares que determinavam o seu uso e a sua eficÃ¡cia em diferentes situaÃ§Ãµes de combate e autodefesa.\u003cbr\u003e\u003cbr\u003eA Espada de Talho era larga e robusta, com uma lÃ¢mina reta e afiada de ambos os lados, ideal para combates corpo-a-corpo devido ao seu peso e capacidade para causar cortes profundos. JÃ¡ a Espada Ropera, mais leve e Ã¡gil, com uma lÃ¢mina longa e estreita, era preferida pela nobreza para duelos e autodefesa, sendo eficiente em estocadas e golpes rÃ¡pidos. O Montante, uma espada de duas mÃ£os extremamente longa e pesada, era utilizada principalmente para defesa pessoal e em batalhas de campo aberto, alÃ©m de simbolizar poder e autoridade em cerimÃ³nias.\u003cbr\u003e\u003cbr\u003eA Espada de Cavaleiro, robusta e com uma lÃ¢mina larga, era usada tanto em combate montado quanto a pÃ©, sendo eficaz em cortes e estocadas. A Espada de NÃ¡utica, mais curta e robusta, era adequada para combates em espaÃ§os confinados, como navios, sendo ideal para marinheiros e corsÃ¡rios. Por fim, a Espada Espanhola, similar Ã  Ropera, mas frequentemente mais decorada, era utilizada pelos conquistadores durante a exploraÃ§Ã£o e colonizaÃ§Ã£o das AmÃ©ricas.\u003c\/p\u003e\n\u003cp\u003eLuÃ­s de CamÃµes, autor de Â«Os LusÃ­adasÂ», tambÃ©m se viu envolvido no contexto destas regulamentaÃ§Ãµes. Em 1552, CamÃµes participou de um duelo, um evento relativamente comum entre nobres e cavalheiros da Ã©poca, que frequentemente usavam espadas como a Ropera. O duelo, embora uma prÃ¡tica de honra, era uma ameaÃ§a Ã  ordem pÃºblica, e a participaÃ§Ã£o de CamÃµes resultou na sua prisÃ£o. Este incidente destaca como a regulamentaÃ§Ã£o das armas, incluindo as especificaÃ§Ãµes sobre o comprimento das espadas, buscava controlar tais prÃ¡ticas, evidenciando a tensÃ£o entre a tradiÃ§Ã£o cavalheiresca e as necessidades de seguranÃ§a pÃºblica impostas pelo estado.\u003c\/p\u003e\n\u003cp\u003eReferÃªncias\/References:\u003cbr\u003eIberian Books 65946 [15152].\u003cbr\u003eUSTC, 344705.\u003cbr\u003eAntonio Joaquim Anselmo, Bibliografia das obras impressas em Portugal no sÃ©culo XVI (Lisboa: Biblioteca Nacional de Lisboa, 1977) Reference: n. 618\u003cbr\u003eInocÃªncio XIII, 385.\u003c\/p\u003e","brand":"Garimpo dos Livros","offers":[{"title":"Default Title","offer_id":58295710712140,"sku":"1404JC011","price":60000.0,"currency_code":"BRL","in_stock":true}],"thumbnail_url":"\/\/cdn.shopify.com\/s\/files\/1\/1066\/5617\/0316\/files\/1404JC011_1.jpg?v=1785850075","url":"https:\/\/garimpodoslivros.com.br\/products\/ley-que-declara-o-comprimento-que-ham-de-ter-as-espadas","provider":"Garimpo dos Livros","version":"1.0","type":"link"}