{"product_id":"malicia-das-mulheres-1","title":"MALICIA DAS MULHERES.","description":"\u003cp\u003eOBRA NOVAMENTE  FEITA, na qual se trataõ muitas sentenças, e authoridades acerca da malicia que ha em algumas dellas, e assim trata como duas mulheres enganaraõ seus maridos graciosamente. LISBOA: Na Offic. de Lino da Silva Godinho. Anno M. DCC. LXXXVIII. [1788]. Com licença da Real Meza da Comissaõ Geral sobre o Exame, e Censura dos Livros.\u003c\/p\u003e\n\u003cp\u003eDe 21x15 cm. Com 8 págs. Encadernação recente em percalina vermelha e guardas novas. Etiqueta do encadernador Frederico d’Almeida na pasta anterior.\u003c\/p\u003e\n\u003cp\u003eOrnamentado com uma pequena gravura xilogravada no rosto, com motivos vegetalistas. \u003c\/p\u003e\n\u003cp\u003eExemplar com número de cota 534 manuscrito a lápis no rosto e gravado a ouro na lombada.\u003c\/p\u003e\n\u003cp\u003eEdição rara deste célebre folheto de cordel, atribuído ao poeta quinhentista Baltasar Dias. A presente impressão de Lino da Silva Godinho insere-se numa longa tradição editorial que remonta pelo menos à edição de Lisboa, António Álvares, 1640, referida por Barbosa Machado, e que conheceu sucessivas reimpressões ao longo dos séculos XVII, XVIII e XIX. A Biblioteca Nacional de Portugal conserva exemplares das edições de 1659, 1738 e 1794, mas não regista esta impressão de 1788, o que atesta a sua escassez. Algumas edições levaram o título de «Auto da malícia das mulheres».\u003c\/p\u003e\n\u003cp\u003eComposto em quintilhas de redondilha maior — forma estrófica tradicional da literatura de cordel e de fácil memorização —, o texto apresenta-se como carta de resposta a um «amigo» que aconselhou o autor a casar-se. Por meio de «sentenças» e «autoridades» retiradas de autores clássicos e medievais (Marco Aurélio, Cícero, Terêncio, Ovídio, Diógenes e os «Sete Sábios de Roma»), o poeta desenvolve uma argumentação misógina tradicional sobre os inconvenientes do casamento e os «vícios» das mulheres. A parte central da obra é ocupada por um exemplo narrativo em que duas comadres apostam qual delas conseguiria enganar mais graciosamente o marido, episódio de cariz satírico-burlesco que ameniza o tom doutrinal das estrofes sentenciosas.\u003c\/p\u003e\n\u003cp\u003eA obra constitui um testemunho fundamental do debate secular sobre o estatuto moral da mulher, já que no século XVIII retomava força a \u003cem\u003equerelle des sexes\u003c\/em\u003e, nascida no Renascimento e ciclicamente ressuscitada. A obra deu origem a respostas literárias como a «\u003cem\u003eBondade das Mulheres vendicada e malicia dos Homens manifesta\u003c\/em\u003e» de Paula da Graça (1715), pioneira insurgência de uma mulher contra os discursos misóginos que, em posição diametralmente oposta, defendia o celibato da mulher como forma de proteção própria. \u003c\/p\u003e\n\u003cp\u003eA temática do matrimónio foi fonte de grande produção literária ao longo dos séculos e o próprio autor escreveu outro folheto que com este forma par temático: «Conselho para bem casar». De forma assumidamente divergente, esta obra, marcadamente mais «moderna», é contrabalançada não só pela defesa do casamento como também pela revalorização da «boa mulher» e, consequentemente, pelo acento colocado na sua escolha, por contraposição à insistência nos seus «vícios». A complementaridade dos dois textos é evidenciada pelas edições simultâneas ao longo dos séculos XVII e XVIII, conforme documentou Maria de Lurdes Correia Fernandes.\u003c\/p\u003e\n\u003cp\u003eContudo, a persistência editorial da Malícia das Mulheres até ao século XIX mostra como essa «insistência» continuou a encontrar receptividade junto de alguns tipos de público.\u003c\/p\u003e\n\u003cp\u003eBaltasar Dias (Ilha da Madeira, fl. 1537) foi poeta e dramaturgo cego de nascimento, contemporâneo de Gil Vicente e figura central da chamada «Escola Vicentina». A sua identidade conhece-se principalmente pelo privilégio real concedido por D. João III a 20 de Fevereiro de 1537, garantindo-lhe exclusividade na impressão e venda das suas obras. Natural da Madeira e desprovido de outros meios de subsistência, vivia da recitação e venda dos seus textos, perpetuando a tradição dos aedos e cantores cegos. Autor de autos de devoção, romances e trovas de grande aceitação popular — entre os quais a «Tragédia do Marquês de Mântua», o «Auto de Santo Aleixo» e o «Auto de Santa Catarina» —, foi considerado por Teófilo Braga «o mais conhecido e amado pelo povo» de entre os dramaturgos portugueses.\u003c\/p\u003e\n\u003cp\u003eReferências:\u003cbr\u003eLopes, Maria Antónia, “Da igualdade entre os sexos e da opressão das mulheres: alegações de uma portuguesa em 1715” in Primeiros textos sobre igualdade e dignidade humanas, coordenado por Daniel Pires, Fernando Machado, José Eduardo Franco, Margarida Seixas, Maria Antónia Lopes, Paulo de Assunção, Pedro Calafate, Ricardo Ventura e Susana Alves-Dias (vol. 14 de Obras Pioneiras da Cultura Portuguesa), Lisboa, Círculo de Leitores, 2019, pp. 60-66\u003cbr\u003eFernandes, Maria de Lurdes Correia. «Cartas de sátira e aviso: em torno dos folhetos Malícia das mulheres e Conselho para bem casar de Baltasar Dias». \u003cem\u003ePenínsula. Revista de Estudos Ibéricos\u003c\/em\u003e, n.º 1, 2004, pp. 161-181.\u003cbr\u003eSampaio, Albino Forjaz de. Subsídios para a história do teatro português - Teatro de cordel. Imprensa Nacional de Lisboa. 1920.\u003cbr\u003eInocêncio I, 322, n.º 10; VIII, 94, n.º 1776.\u003cbr\u003eBarbosa Machado, I, 446. \u003c\/p\u003e","brand":"Garimpo dos Livros","offers":[{"title":"Default Title","offer_id":58285108625740,"sku":"2512SB012","price":3000.0,"currency_code":"BRL","in_stock":true}],"thumbnail_url":"\/\/cdn.shopify.com\/s\/files\/1\/1066\/5617\/0316\/files\/2512SB012_1_d6069acc-b8ad-49b4-9dab-98488ed2fce7.jpg?v=1785773169","url":"https:\/\/garimpodoslivros.com.br\/products\/malicia-das-mulheres-1","provider":"Garimpo dos Livros","version":"1.0","type":"link"}