{"product_id":"manuscrito-sec-xviii-inquisia-a-o-carta-de-familiar-do-santo-oficio","title":"MANUSCRITO SEC. XVIII. - INQUISIÃ‡Ã‚O - CARTA DE FAMILIAR DO SANTO OFICIO","description":"\u003cp\u003e\u003cstrong\u003eDADA PELA INQUISIÃ‡ÃƒO DE Ã‰VORA A BERNARDO AGOSTINHO BORGES BACHAREL EM LEIS. 1777.\u003cbr\u003e\u003c\/strong\u003e\u003c\/p\u003e\n\u003cp\u003eFÃ³lio (de 25x37 cm) em pergaminho muito alvo.\u003c\/p\u003e\n\u003cp\u003eEmoldurado com vidro e acrÃ­lico transparente no verso; o qual possibilita a leitura do averbamento. O documento apresenta vincos de ter permanecido dobrado, num perÃ­odo da sua existÃªncia, sendo o averbamento o tÃ­tulo visÃ­vel em um dos seus quadrantes exteriores.\u003c\/p\u003e\n\u003cp\u003eApresenta fita original em seda verde travada numa caixa de selo.\u003c\/p\u003e\n\u003cp\u003eO documento encontra-se redigido a uma sÃ³ mÃ£o firme, clara e regular, terminando com uma assinatura (com o nome do cargo) e um averbamento no verso com a assinatura do tabeliÃ£o do Livro das CriaÃ§Ãµes dos Ministros e Oficiais do Santo Oficio. A tinta do manuscrito encontra-se desbotada (sem cor, ou com a cor muito apagada) pelo motivo de o documento ter estado sujeito a incidÃªncia solar, no entanto o contacto ferrogÃ¡lico com o pergaminho criou sulcos caligrÃ¡ficos de perfeita leitura.\u003c\/p\u003e\n\u003cp\u003e\u003cstrong\u003eLeitura diplomÃ¡tica actualizada:\u003c\/strong\u003e\u003c\/p\u003e\n\u003cp\u003eÂ«Dom JoÃ£o da Cunha PresbÃ­tero Cardeal da Santa Igreja, Arcebispo de Ã‰vora, Regedor das JustiÃ§as do Conselho de Estado da Rainha Nossa Senhora [D. Maria I] e Inquisidor Geral destes Reinos e Senhorios de Portugal. A[qui] fazemos saber aqueles a presente virem que pela boa informaÃ§Ã£o que temos da geraÃ§Ã£o, vida, costumes Bernardo Agostinho Borges Bacharel em Leys, solteiro, filho do CapitÃ£o AntÃ³nio Pereira, natural e morador da Vila de Arraiolos Arcebispado de Ã‰vora. Confiando dele que farÃ¡ com todas a diligÃªncia, consideraÃ§Ã£o, verdade, e segredo tudo o que por NÃ³s lhe for mandado e pelos Inquisidores cometido. Havemos por bem declarar e fazer familiar do Santo Oficio da InquisiÃ§Ã£o da Cidade de Ã‰vora para que aqui em diante sirva o tal cargo assim como o servem os mais Familiares da dita InquisiÃ§Ã£o e com ele goze de todos os privilÃ©gios, isenÃ§Ãµes e liberdades, que por direito, provisÃµes e alvarÃ¡s dos Senhores Reis destes Reinos sÃ£o concedidos aos Familiares do Santo Oficio.\u003c\/p\u003e\n\u003cp\u003eNotificamos assim os Inquisidores para que o admitam ao dito cargo e lho deixem servir conforme seu regimento dando-lhe primeiro juramento de que se farÃ¡ assento por ele assinado no Livro da CriaÃ§Ã£o dos Familiares da mesma InquisiÃ§Ã£o na forma do estilo dela.\u003c\/p\u003e\n\u003cp\u003eE mandamos a todas as JustiÃ§as assim EclesiÃ¡sticas como seculares destes Reinos e Senhorios e mais pessoas que conhecimento disso pertencer hajam e tenham ao dito Bernardo Agostinho Borges por familiar do Santo Oficio e lhe guardem cumpram e faÃ§am guardar e cumprir inteiramente esta nossa Carta, e todos os ditos privilÃ©gios, como nella se contÃªm, sob as penas e censuras em Direito e nos mesmos privilÃ©gios declarados, e de se proceder contra os culpados, como pessoas que offendem aos ministros do Santo Oficio da InquisiÃ§Ã£o.\u003c\/p\u003e\n\u003cp\u003eDada em Lisboa sob nosso signal, e sello do Conselho Geral do Santo Oficio aos dezasseis do mÃªs de Maio de mil setecentos e setenta e sete anos: Manuel Ferreira de Mesquita, SecretÃ¡rio do mesmo Conselho Geral o fez escrever e subescrevi Â».\u003c\/p\u003e\n\u003cp\u003e[Assinado]: \u003cem\u003eCardeal Inquisidor Geral\u003c\/em\u003e\u003c\/p\u003e\n\u003cp\u003eVerso: Â« Registada a folhas 344 do livro das criaÃ§Ãµes dos Ministros e Oficiais do Santo Oficio da InquisiÃ§Ã£o de Ã‰vora. [Assinado] Carlos AntÃ³nio JosÃ© Franco Â».\u003c\/p\u003e\n\u003cp\u003eO Santo OfÃ­cio, detinha um Tribunal eclesiÃ¡stico, conhecido como InquisiÃ§Ã£o, que tinha sido promovido por iniciativa do rei em 1536, e foi extinto em 1821 na sequÃªncia da RevoluÃ§Ã£o Liberal. Era coadjuvado pelo Conselho Geral, criado em 1569 pelo Cardeal D. Henrique. Serviam este tribunal: Inquisidores, Deputados, Promotores, NotÃ¡rios, Qualificadores, ComissÃ¡rios, Meirinhos, Alcaides, Guardas, Porteiros, Solicitadores, MÃ©dicos, CirurgiÃµes, Barbeiros e Familiares. O Conselho Geral tinha a competÃªncia de apreciar diligÃªncias de habilitaÃ§Ã£o dos ministros e familiares do Santo OfÃ­cio. Os habilitandos deviam saber ler e escrever, viver abastadamente, serem capazes de manter segredo sobre os negÃ³cios do Santo OfÃ­cio, No processo de habilitaÃ§Ã£o, os candidatos, nobres ou plebeus, apresentavam as suas naturalidades, moradas, profissÃµes e genealogias, os cÃ´njuges e eventuais filhos ilegÃ­timos e outros parentes, sobretudo os que tambÃ©m eram familiares do Santo Oficio A admissÃ£o destes Ministros e Familiares era precedida de um inquÃ©rito rigoroso Ã  genealogia com depoimentos de testemunhas que conheciam bem os habilitandos sobre sua Ã  conduta cÃ­vica, moral e religiosa que deveria estar de acordo com as qualidades exigidas pelo Regimento - instrumento normativo inspirado nas normas inquisitoriais espanholas, adaptado Ã s caracterÃ­sticas polÃ­ticas, sociais e religiosas do paÃ­s - nÃ£o possuÃ­rem infÃ¢mia alguma de facto e de direito, nem sangue de Â«infecta naÃ§Ã£oÂ» (judeu, mourisco, negro ou cigano) ou culpas de judaÃ­smo. TambÃ©m nÃ£o podiam exercer profissÃµes consideradas infamantes e deviam ter capacidade reconhecida para o cargo. Os Familiares do Santo OfÃ­cio nÃ£o podiam casar sem autorizaÃ§Ã£o do Conselho Geral. A familiatura era vista como um privilÃ©gio que conferia estatuto social aos seus possuidores e funcionava como um passaporte para quem ia para o Brasil, ou outras terras do ultramar, pois estas cartas funcionavam como diplomas das suas qualidades nas comunidades de destino. Entre as prerrogativas dadas aos Familiares encontravam-se a capacidades de dar Â«voz de prisÃ£oÂ» aos rÃ©us nas terras onde nÃ£o existisse tribunal; de confiscar as chaves das casas dos mesmos, de notificaÃ§Ã£o das testemunhas que seriam ouvidas pela InquisiÃ§Ã£o, e acompanhar os presos nos autos-da-fÃ©, entre outras. AlÃ©m da carta de Familiar obtinham ainda uma insÃ­gnia ou selo, que apresentavam quando efectuavam prisÃµes. Segundo alguns investigadores o ser cristÃ£o-novo nÃ£o era um obstÃ¡culo inultrapassÃ¡vel. O sucesso da pretensÃ£o dependia da inserÃ§Ã£o em redes de influÃªncia e de cumplicidadeÂ» (segundo estudos que citam Figueiroa Rego, 2009). A maioria dos cargos oficiais eram desempenhados por familiares do Santo Oficio e a abundÃ¢ncia de dados genealÃ³gicos existentes nestes processos permite um estudo da sociedade da Ã©poca e um retrato psicolÃ³gico dos habilitandos e das suas famÃ­lias naturais.\u003c\/p\u003e\n\u003cp\u003eNota: encontra-se um trabalho externo de pesquisa sobre o Santo Oficio na vila de Arraiolos com a seguinte referÃªncia: Os Familiares do Santo OfÃ­cio de uma localidade do Sul de Portugal (Arraiolos): perfil social e recrutamento Autor(es): Lopes, Bruno Editor(es): Serrano, Eliseo Palavras Chave: InquisiÃ§Ã£o Familiares do Santo OfÃ­cio Elites locais HistÃ³ria social DistinÃ§Ã£o social Data: 2013 Editora: InstituciÃ³n Fernando el CatÃ³lico, Excma DiputaciÃ³n de Zaragoza.\u003c\/p\u003e","brand":"Garimpo dos Livros","offers":[{"title":"Default Title","offer_id":58296078598476,"sku":"1803JC005","price":7200.0,"currency_code":"BRL","in_stock":true}],"thumbnail_url":"\/\/cdn.shopify.com\/s\/files\/1\/1066\/5617\/0316\/files\/1803JC005_1.jpg?v=1785853216","url":"https:\/\/garimpodoslivros.com.br\/products\/manuscrito-sec-xviii-inquisia-a-o-carta-de-familiar-do-santo-oficio","provider":"Garimpo dos Livros","version":"1.0","type":"link"}