A QUESTÃO CALMON.

A QUESTÃO CALMON.

R$ 300,00
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A QUESTÃO CALMON.

A QUESTÃO CALMON.

R$ 300,00

Reflexões sobre um caso medico-legal. Por… Director clinico do Hospital d’Alienados do Conde de Ferreira, medico alienista do Conselho Medico-Legal da Segunda Circumscripção, socio da Academia Real das Sciencias de Lisboa e membro da Sociedade Medico-Psychologica de Paris. Porto. Livraria Moreira. 1900.

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De 24x17 cm. Com 63 págs. Brochado. Exemplar com defeitos nas capas de brochura.

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Opúsculo publicado pelo autor para se defender dos ataques de que foi alvo por ter votado a interdição de Rosa Calmon, na qualidade de perito nomeado pelo Juiz da 4.ª vara cível do Porto.

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O livro, depois de uma apresentação, inclui o relatório médico-legal elaborado por Júlio de Matos com data de 16 de Maio de 1900, a tradução francesa do mesmo, com uma árvore genealógica da família de Rosa, que remeteu a médicos alienistas de vários países as respectivas respostas e pareceres de Miguel Bombarda e Magalhães Lemos e uma discussão das diversas opiniões expostas.

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Rosa Calmon da Gama era filha do Cônsul do Brasil no Porto. Cerca de 1898 começou um aprofundamento da vida religiosa, que a levou a manifestar fortes tendências místicas e o desejo de entrar numa ordem religiosa. O pai opôs-se radicalmente ao desejo da filha, sucedendo-se uma série de casos rocambolescos e fortes polémicas nos jornais da época, até que o pai entrepôs um processo de interdição da filha, para o qual foi pedido o parecer de Júlio de Matos.

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O caso terminou com o arquivamento do processo, dado que o tribunal português não era competente para decidir, pois a lei brasileira era diferente da portuguesa e Rosa tinha nacionalidade brasileira. Perante o escândalo José Calmon foi transferido de posto e levou a filha consigo, pois perante a lei brasileira as filhas solteiras continuavam sempre sobre a tutela do pai. No Brasil vigoraram até 1917 as determinações da lei portuguesa do antigo regime, anterior ao século XVIII.

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O Caso Rosa Calmon foi um dos acontecimentos mais mediáticos da transição do século XIX para o XX e paradigmático das tendências do anticlericalismo e ódio à religião baseados em visões reducionistas do mundo que negavam a dimensão religiosa do homem buscando sustentação no racionalismo e no cientismo. O poder dos médicos, entidades infalíveis, iria ser usado para perseguir todos os que se afastassem das normas em vigor, sobre a religião ou a vida em sociedade, normas baseadas em preconceitos, que recebiam o estatuto de verdades científicas pelo parecer de médicos ideologicamente comprometidos.

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