BASE AÉREA N.º 7 DE SÃO JACINTO. ÁLBUNS COM REPORTAGENS FOTOGRÁFICAS, 1962-1963
5 Álbuns oblongos de 20,6x28 cm. Com um total de 88 provas fotográficas, sendo a maior parte rectangulares com um formato em geral de 9,4x14,6, ou menor e algumas, no início de cada album, com formatos de 9x12,7 cm. Muitas das fotografias estão protegidas por folhas de papel vegetal, que no primeiro album têm legendas impressas na parte inferior. Os álbuns apresentam o emblema da Base: uma andorinha estilizada em preto sobre fundo azul.
Conjunto de reportagens fotográficas de eventos militares e de períodos de convívio do pessoal da Base aérea n. 7, em especial da famosa EIBP - Esquadra Elementar e Básica de Pilotagem, Esquadra 71, que proporcionava a instrução básica de pilotagem em T-6, onde foram formados a maioria dos pilotos deste avião de treino, que foi transformado para executar missões de ataque ao solo durante a Guerra do Ultramar.
Documento único e muito importante para a história da Força Aérea, para a história da Guerra no Ultramar e para a história local do Distrito de Aveiro, assim como para as biografias dos numerosos pilotos e militares presentes nas fotografias.
O célebre Piloto António Lobato, que foi capturado pelo PAIGC, em Maio de 1963, na Guiné e esteve 7 anos preso em Conackry, sendo libertado, em 1970 durante a Operação Mar Verde, foi instrutor de voo nesta base, entre 1959 e 26 de Julho de 1961 e recebeu um louvor pelo seu desempenho técnico e pedagógico.
Nas fotografias destacam-se as seguintes individualidades: General Kaulza de Arriaga, Secretário de Estado da Aeronáutica, 1961-1962; General Francisco Chagas, Secretário de Estado da Aeronáutica (sucedeu a Kaulza, Dezembro de 1962-1967); Comandante da base, Coronel Alberto Manuel Lopes Magro (22-09-1962 a 29-06-1964); Governador Civil de Aveiro, Manuel Ferreira dos Santos Lousada; Monsenhor Júlio Tavares Rebimbas, Vigário Capitular da Diocese de Aveiro; D. Manuel de Almeida Trindade, Bispo de Aveiro, desde Setembro de 1963.
Álbum n.º 1 - Cerimónia do Juramento de Bandeira do Curso de Pilotagem P-1/62. (20 fotografias) 1 - Mostra dois militares de costa, perante um por do sol, entre as asas de dois aviões; 2 - Comandante da base, Coronel Alberto Manuel Lopes Magro, acompanhado pelo Governador Civil de Aveiro, Francisco Leandro Pessoa Monteiro, recebe o General Kaulza de Arriaga; 3 - Chegada de altas individualidades (12 personalidades) do Distrito de Aveiro, incluindo Monsenhor Júlio Tavares Rebimbas, Vigário Capitular da Diocese de Aveiro; 4 - Continência das forças em parada, com o General Kaulza de Arriaga, comandante da Base e o Governador Civil de Aveiro; 5 - Continência das forças em parada, do ângulo contrário; 6 - Tribuna de honra; 7 - Celebração da missa campal; 8 - Durante a homília; 9 - Durante a elevação; 10 - Aspecto geral das forças em parada; 11 - Saudação à bandeira nacional; 121 - Os alunos pilotos jurando bandeira; 13 - Desfile das forças em parada; 14 - Desfile aéreo; 15 - Desfile das forças em parada; 16 - Desfile aéreo; 17 - Inauguração da Capela da Base Aérea: entrada dos convidados; 18 - Um aspecto da inauguração da Capela; 19 - Convívio Social, aperitivos, General Kaulza de Arriaga, Comandante e civil; 20 - Aspecto do almoço na Messe dos oficiais (8 pessoas vísiveis).
Álbum n.º 2 - Manobras de voo e cerimónia de juramento de bandeira (12 fotografias) As primeiras quatro fotografias mostram manobras de voo; a 5,ª um general e vários oficiais cumprimentando os cadetes; 6.ª o Comandante da base e o general em continência; 7.ª Elevação durante a missa campal, com o general; 8.ª Comandante a discursar; 9.ª Forças em parada a jurar bandeira; 10.ª Tribuna de honra; 11.ª General, Comandante, Bispo e Governador Civil de Aveiro a conversar; 12.ª Convívio debaixo de toldos.
Álbum n.º 3 - Recordações (10 fotografias) 1 - Tropas em parada, com o comandante; 2 - Comandante a discursar; 3 - convívio dos convidados debaixo de toldos; [Fotografia em falta]; 4 - Comandante da Base em conversa com outro militar e mais três civis; 5 - Comandante aperta a mão a Kaulza de Arriaga que acaba de chegar; 6 - Palanque com o Comandante da Base e diversos militares e civis; 7 - Comandante a dar explicações a um civil e seis militares, nos campos em redor da base; 8 - O Comandante, Kaulza de Arriaga e um civil a conversar; 9 - Comandante da Base, um padre e um civil a dirigirem-se para a parada; 10 - Kaulza de Arriaga, o camandante e mais três oficiais a assistirem à missa.
Álbum n.º 4 - Recordações (21 fotografias) Diversos aspectos de visitas à base aérea de altas individualidades, entre elas o General Francisco Chagas, Secretário de Estado da Aeronáutica, o Bispo de Aveiro, D. Manuel de Almeida Trindade; dois retratos de conjunto dos oficiais e alunos que concluiram os cursos, e duas fotografias de convívio na Ria de Aveiro, com o comandante da base e diversas senhoras.
Álbum n.º 5 - Tempos livres, na Ria de Aveiro (24 fotografias) Documentário de actividades lúdicas na Ria de Aveiro, do Comandante, do pessoal da Base e familiares e incluindo pescadores locais demonstrando a suas artes de pesca.
O COMANDANTE: Alberto Manuel Lopes Magro foi um oficial piloto aviador da Força Aérea. Enquanto Capitão piloto aviador, com o curso do Estado Maior, foi agraciado com o grau de oficial da Ordem de Avis, em 14-09-1955, como Tenente-Coronel assumiu o Comandando interino da BA7 em 22-09-1962, foi promovido a Coronel, tendo passado a Comandante efectivo da mesma BA7 até 29-06-1964, tendo posteriormente assumido as funções de Comandante da BA11, em Beja de 16 de Agosto de 1967, até cerca de 1970.
A BASE AÉREA de São Jacinto foi construída no séc. 20, composta por aeródromo e instalações anexas, com edifícios e estruturas de aquartelamento, instrução, apoio e outras. O complexo militar de São Jacinto teve origem em 1918, no final da I Guerra Mundial, com o estabelecimento de uma base aeronaval, cuja utilização foi cedida aos Aliados para vigilância de submarinos alemães no Atlântico.
Com o término da guerra, foi entregue à aviação da Armada Portuguesa, em 1919, e, em 1933, aqui passou a funcionar a Escola de Aviação Naval, cujo aumento progressivo do número de alunos, conduziu, na década de 40, à compra de terrenos anexos e à urbanização da zona central da base. Foi neste período que se iniciariam os edifícios de maior interesse arquitetónico, projetados pelo arquiteto Eugénio Correia, como o edifício da escola naval, prolongando-se a construção e reforma dos edifícios existentes pela década de 1950.
O edifício da escola desenvolve-se num único piso, com cobertura de telha, à exceção da sala de projeções, que recebeu dois pisos, devido à necessidade de alto pé direito para a projeção de imagens, cobertos por placa de cimento armado nervurada e impermeabilizada. A escola foi incorporada na Força Aérea Portuguesa, após a sua criação, em 1952.
Em 1978, as instalações de São Jacinto passam a Base Operacional de Tropas Paraquedistas, função que acumula com a de Aeródromo de Manobra, da Força Aérea, até 1994, quando passa para a tutela do Exército e, em seu lugar, são criadas as Tropas Aearotransportadas no Exército.
Atualmente, o aeródromo é utilizado, com o apoio da Força Aérea, no treino de tropas paraquedistas destinadas a forças que constituem encargo de Portugal para a NATO. As instalações da base, que tem a particularidade de terem pertencido aos três ramos das Forças Armadas (Marinha, Força Aérea e Exército), reflete a sua evolução funcional, compondo-se de edifícios de diferentes períodos e tipologias. Têm predominantemente planta retangular e as fachadas evoluem num ou dois pisos, rebocadas e pintadas, rasgadas por vãos retilíneos. A pista, desenvolvida no sentido noroeste - sudeste, foi construída em 1937 e foi a primeira a dispor de iluminação elétrica em Portugal. O hangar, construído em 1921, pelos Estaleiros Navais de São Jacinto foi, à data, o de maiores dimensões até então edificado na Península Ibérica, tendo sido alterado posteriormente. Junto a esse e à placa de estacionamento de aviões, ergue-se edifício com torre de controle, em linguagem moderna. Tem ainda um cais para o serviço de transportes de pessoal e abastecimentos, através da Ria de Aveiro.
[EN] Five oblong photo albums from Portuguese Air Base No. 7 document military events and social gatherings during the Portuguese Overseas War. Measuring 20.6 x 28 cm, the collection contains 88 photographic prints, mostly sized 9.4 x 14.6 cm or smaller, with some 9 x 12.7 cm prints at the beginning of each volume. The photos are protected by tracing paper sheets, with the first album featuring printed captions at the bottom. Each cover displays the base emblem of a black stylized swallow on a blue background. The albums focus on Squadron 71 (EIBP), which trained T-6 ground-attack pilots for the conflict, and reference notable figures like flight instructor António Lobato, who was later imprisoned for seven years in Guinea. Protected by tracing paper and featuring the base's swallow emblem, the collection spans five volumes:
• Album No. 1 (20 photos): The P-1/62 Flag Oath Ceremony, showing General Kaulza de Arriaga, Aveiro Bishop D. Domingos da Apresentação Fernandes, field masses, aerial flyovers, and the chapel inauguration.
• Album No. 2 (12 photos): Flight maneuvers, military parades, high-ranking official greetings, and social gatherings.
• Album No. 3 (10 photos, 1 missing): Official reviews, speeches, and interactions between the Base Commander, General Kaulza de Arriaga, and civilian guests.
• Album No. 4 (21 photos): Institutional visits by dignitaries like Bishop D. Manuel de Almeida Trindade, graduation group portraits, and leisure by the Aveiro Lagoon.
• Album No. 5 (24 photos): Social documentary of base personnel, families, and traditional local fishermen sharing leisure time on the Aveiro Lagoon.
The São Jacinto complex is the only Portuguese base to have served the Navy (1918 anti-submarine base and 1933 Naval Aviation School), the Air Force (Base Aérea Nº 7 in 1952), and the Army (Paratroopers since 1994). Its architectural highlights include modernist buildings by Eugénio Correia, a historic 1921 hangar that was once the largest in the Iberian Peninsula, and a 1937 runway that was the first in Portugal to feature electric lighting.
Ref:
-SIPA - Sistema de Informações para o Património Arquitectónico. Base Aérea de São Jacinto / Área Militar de São Jacinto, IPA.00020485 Portugal, Aveiro, Aveiro, São Jacinto
-Alfredo Cruz - A ex-BA 7 S. Jacinto foi casa mãe a partir do princípio dos anos 60 da instrução básica de pilotagem em T-6. Aqui permaneceu durante os anos da guerra em África a famosa EIBP (Esquadra Elementar e Básica de Pilotagem) Esquadra 71. Aqui foram formados a maioria dos pilotos de T-6 durante a guerra.
-Carlos Rodrigues A minha Unidade de 1986 até 1990.
-Fernando Duarte Curiosamente já foi a Base Aérea N.° 5...
-Miguel Machado A resposta certa é...Na Força Aérea Portuguesa foi: Base Aérea N.º5 (1953), Aeródromo Base N.º 2 (1956), Base Aérea N.º7 (1959) e Aeródromo de Manobra n.º 2 (1978-1992) e Base Operacional de Tropas Pára-quedistas N.°2 (1977-1993). Convém não esquecer que a BOTP 2 era uma unidade da Força Aérea.