LES CONFESSIONS.
De J. J. Rousseau. Librairie de Firmin Didot Frères. Paris. 1856.
De 18x11,5 cm. Com [iv], 622 págs. Encadernação da época com a lombada em pele, com ferros a ouro. Ilustrado com um retrato do autor em face da folha de rosto.
Exemplar com assinatura de posse na folha de anterrosto e no verso da folha ilustrada com o retrato. Apresenta ainda um ex libris oleográfico de António Duraes na folha de rosto.
Obra autobiográfica publicada póstumamente - uma das primeiras do género - composta por doze livros que se dividem em dois conjuntos distintos, definidos pelo próprio autor: a primeira parte, constituÃda pelos livros I a VI com o Preâmbulo, escritos em 1765-1767, cobre os anos 1712-1740 (anos formativos, desde o nascimento em Genebra até à mudança para Paris aos 28 anos) enquanto a segunda parte, constituÃda pelos livros VII a XII e escrita em 1769-1770, cobre os anos 1741-1765, ou seja, a sua vida em Paris nos cÃrculos musicais e filosóficos. Embora publicada a tÃtulo póstumo, Rousseau fez leituras públicas de certos excertos.
O trabalho de Rousseau é notável como uma das primeiras grandes autobiografias sem qualquer valor religioso. O tÃtulo das Confissões foi provavelmente escolhido em referência à s Confissões de Santo Agostinho, publicadas no século IV. Rousseau realiza assim um acto que, embora não tenha um objectivo religioso, contém uma forte conotação simbólica: a de confessar os seus pecados, de confissão. Combinando sinceridade, humildade e um apelo a si próprio, Rousseau procura pintar um retrato positivo de si próprio escreve em termos das suas experiências mundanas e sentimentos pessoais.
O carácter único da obra, reconhecido pelo próprio autor, tornou-se, não muito depois da sua publicação, como um exemplo seguido por vários autores, como Goethe, Wordsworth, Stendhal, De Quincey, Casanova e Alfieri. As Confissões fundaram o género moderno de autobiografia, sendo uma obra marcante da literatura francesa.